Bleisure como padrão, não exceção

Durante muito tempo, a viagem corporativa foi vista como uma experiência com começo, meio e fim muito bem definidos: embarcar, cumprir a agenda profissional e retornar para casa. Mas os hábitos dos viajantes mudaram, e o chamado bleisure, combinação de business e leisure, vem ganhando espaço como uma nova forma de aproveitar as viagens a trabalho.

Mais do que uma tendência passageira, o bleisure começa a se consolidar como parte da dinâmica das viagens corporativas. O profissional que já está em determinado destino por motivos de trabalho pode aproveitar a oportunidade para conhecer a cidade, estender a estadia ou incluir momentos de lazer no roteiro.

Trabalho e lazer podem coexistir

A expansão do bleisure acompanha uma mudança na própria relação das pessoas com o trabalho e com as viagens. Se antes a experiência profissional era completamente separada do tempo pessoal, hoje existe uma busca maior por flexibilidade, bem-estar e melhor aproveitamento do tempo.

Uma viagem corporativa pode, por exemplo, terminar em uma sexta-feira e o viajante optar por permanecer no destino durante o fim de semana. Em outros casos, pode chegar alguns dias antes para conhecer o local ou aproveitar períodos livres entre compromissos.

Essa possibilidade agrega valor à experiência do viajante sem necessariamente alterar o objetivo principal da viagem.

Uma oportunidade para empresas e destinos

O crescimento do bleisure também cria novas possibilidades para diferentes agentes do setor de viagens corporativas.

Para as empresas, entender esse comportamento significa acompanhar mais de perto as expectativas dos seus colaboradores e estabelecer políticas claras sobre o que é permitido durante uma extensão de viagem. Questões como custos adicionais, responsabilidade durante o período de lazer, seguros e alterações no roteiro precisam estar bem definidas.

Para os destinos, por outro lado, o bleisure representa uma oportunidade de ampliar o impacto econômico de uma viagem corporativa. Um profissional que permanece alguns dias a mais pode consumir em restaurantes, visitar atrações, utilizar serviços turísticos e conhecer experiências que talvez não fizessem parte de uma viagem exclusivamente profissional.

O papel da política de viagens

Para que o bleisure seja incorporado de maneira segura à rotina corporativa, é fundamental que as empresas tenham políticas de viagens atualizadas.

Não se trata de incentivar ou restringir o lazer, mas de deixar claro onde termina a responsabilidade da empresa e começa a responsabilidade do viajante.

Uma política bem estruturada pode contemplar situações como:

  • extensão da estadia por motivos pessoais;
  • diferença de tarifas em voos;
  • custos adicionais de hospedagem;
  • transporte durante o período de lazer;
  • seguro e assistência ao viajante;
  • responsabilidade da empresa durante a extensão da viagem;
  • procedimentos para alterações no itinerário.

Quanto mais claras forem essas regras, menor o risco de conflitos ou dúvidas durante a viagem.

O viajante também mudou

O crescimento do bleisure mostra que a experiência do viajante corporativo não pode mais ser analisada apenas pela ótica da eficiência.

Tempo, bem-estar e experiência passaram a ter um peso maior nas decisões. Em um mercado no qual empresas também disputam talentos, oferecer mais flexibilidade pode contribuir para uma experiência profissional mais positiva.

Isso não significa transformar toda viagem de negócios em uma viagem de lazer. Significa reconhecer que o comportamento do viajante mudou e que as políticas e estratégias do setor precisam acompanhar essa transformação.

Bleisure como parte da estratégia

O bleisure deixa de ser uma exceção quando empresas, gestores de viagens e destinos passam a enxergar esse comportamento de forma estruturada.

A tendência aponta para um modelo em que trabalho e lazer podem coexistir, desde que existam regras claras, segurança e planejamento.

Para o setor de viagens corporativas, essa mudança representa mais do que uma nova preferência do viajante. É uma oportunidade de repensar políticas, experiências e estratégias para acompanhar um profissional que busca aproveitar melhor cada deslocamento. Afinal, a satisfação durante as viagens corporativas também impacta a experiência do colaborador e pode se tornar um fator importante para sua retenção nas empresas. 

O futuro das viagens corporativas não está apenas em chegar ao destino certo para cumprir uma agenda. Também está em criar condições para que cada viagem faça mais sentido para quem viaja.

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