A alta do QAV mudou o jogo. Cortar viagens é o movimento errado.

O mercado corporativo entrou em um novo ciclo. Quem tratar a crise como conjuntural vai gastar mais e decidir pior.

O cenário: o
 choque não é conjuntural. É estrutural.

A combinação entre tensões geopolíticas, alta do petróleo e restrições operacionais no transporte aéreo criou um ambiente novo para empresas que dependem de viagens.


No Brasil, as passagens aéreas subiram 17% em apenas dois meses. Em rotas long-haul, os aumentos acumulados oscilam entre 50% e 150%. Tarifas Londres–Singapura mais que dobraram. Frankfurt–Mumbai praticamente duplicou. Mas o dado mais importante não está no preço — está no comportamento das companhias aéreas.

Elas já passaram a tratar o novo patamar de custo como baseline, não como desvio. Revisam tarifas em janelas quinzenais. Cortam frequências. Implementam fuel surcharges mais agressivos. Reduzem capacidade em rotas estratégicas. A estimativa de normalização — se é que haverá — passa de um ano.

O ERRO MAIS COMUM
O mercado não está esperando voltar ao que era. Está se reorganizando para operar no patamar atual.

Apertar o controle custa mais caro.

Diante desse cenário, o reflexo mais comum da gestão corporativa é o errado: cortar viagens, forçar tarifas baratas, bloquear exceções. Parece controle. É o oposto.

Esse tipo de resposta produz um ciclo previsível de ineficiência. Tarifas baratas são as mais restritivas — geram mais remarcações, multas e bilhetes perdidos. Exceções explodem em modo emergencial, com aprovações fora de padrão. Executivos acabam em rotas mais longas, com mais conexões, menos produtivos. No fim, o custo unitário até parece menor. O custo total da jornada aumenta.

É a armadilha clássica da rigidez em cenário volátil: quanto mais se tenta controlar o preço pontual, mais se perde o custo total.

A virada: De controle para gestão inteligente.

O momento pede a virada contrária. Política de viagens deixa de ser ferramenta de controle e passa a ser instrumento de gestão financeira, de risco e de duty of care. Quatro movimentos concretos:

Flexibilidade como padrão, não como exceção.

Tarifas flexíveis reduzem remarcações, multas e bilhetes perdidos — custos que raramente aparecem no relatório mensal, mas devoram o orçamento real.

Antecipação como alavanca.

Em um mercado com menos oferta e tarifas mais voláteis, comprar com 30+ dias de antecedência para viagens internacionais deixou de ser boa prática. Virou premissa.

Exceções governadas, não combatidas.

Cabine premium, rotas alternativas, flexibilizações pontuais: tudo isso precisa existir com critérios claros e pré-aprovados. Exceção sem governança é caos. Regra sem exceção é custo.

Alçadas revisadas.

Processos de aprovação desenhados para um cenário estável travam decisões críticas em cenário volátil. Reduzir fricção onde faz sentido é parte da política.

Três perguntas para a sua empresa fazer agora

  1. Minha política de viagens foi desenhada antes ou depois de fev/26? Se antes, está defasada.
  2. Meu time mede custo unitário (tarifa) ou custo total da jornada? São coisas diferentes. E a segunda é a que importa.
  3. Meus executivos-chave têm documentação e vistos em dia para rotas alternativas? Em um mercado com oferta reduzida, flexibilidade documental é vantagem competitiva.

A eficiência em viagens corporativas, neste ciclo, não está em viajar menos. Está em decidir melhor quando, como e por que viajar.
Viagens corporativas deixaram de ser um problema de execução. Viraram um problema de decisão.

Por Nando Vasconcellos
Conselheiro Alagev

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Ao longo da minha trajetória atuando com gestão de viagens e eventos corporativos, participando de projetos, publicações, treinamentos e eventos...
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