Quando comecei na área de viagens corporativas, ainda como estagiária, minha rotina parecia simples: organizar deslocamentos, acompanhar reservas, apoiar os viajantes e garantir que cada viagem acontecesse sem grandes imprevistos. Como a maioria dos profissionais que chega à função de gestor de viagens, meu primeiro contato foi operacional. Mas a verdade é que, com o passar do tempo fica evidente que tudo aquilo vai muito além de emitir passagens ou reservar hotéis, existe um gestor de viagens fazendo tudo acontecer.
Aos poucos fui me interessando por tudo aquilo e pesquisando sobre tudo que, nem de longe, havia visto na faculdade de Turismo e, vou ser direta, do jeito que aprendi a ser: não tinha manual, não tinha mapa, havia pouquíssimo material instrutivo. O que eu tive e tenho até hoje foi a sorte de encontrar uma gestora que me pegava pela mão e respondia cada dúvida que eu trazia.
“Comecei como estagiária sem saber nada. Hoje me sento às mesas onde as decisões são tomadas, inclusive no Conselho da ALAGEV. Esse é o poder do conhecimento aliado à comunidade certa e a ALAGEV tem muita importância neste caminho.”
Este texto é para você que está começando, seja em Pernambuco, no Espírito Santo ou no Maranhão, seja com anos de mercado ou caindo de paraquedas na área. Ele carrega tudo que eu gostaria de ter lido quando ainda tentava entender o que era esse mundo.
Por onde começar?
A experiência em estágio foi curta, três meses. Questionadora por natureza, já conhecia alguns nomes do mercado quando recebi um convite para participar de um evento em Fortaleza, vindo de uma das agências que me atendia na época. Foi lá que conheci pessoalmente uma das minhas maiores referências. Saímos do evento com uma lista de contatos para montar um grupo no WhatsApp e ali nasceu o Gestores de Viagens NE, hoje o GVNE (Gestores de Viagens e Eventos Corporativos do Nordeste), comunidade oficial da ALAGEV.
Nenhum profissional se desenvolve sozinho. E nenhum mercado evolui sem espaços de troca, aprendizado e colaboração. Aquele grupo se transformou em algo muito maior do que uma lista no celular: virou um ecossistema de conhecimento. Já havia conhecimento sobre a ALAGEV e suas comunidades já existentes, mas tive a certeza: precisávamos nos unir.
As reuniões periódicas já aconteciam, com fornecedores e cases de gestores para manter todos atualizados. Era necessário mais e em conversas com Giovanna e Murad, recebemos o convite: levar o GVNE a São Paulo para se conectar às comunidades já existentes. Sem custo, mas com um ganho enorme: alinhamento com o mercado nacional, que historicamente tinha um olhar míope para o Nordeste.
Ao se conectar com a ALAGEV, percebi uma lacuna clara: o gestor de viagens do Nordeste não tinha visibilidade, não palestrava, não era reconhecido nos palcos nacionais. E não era por falta de competência, era falta de espaço e representatividade. Foi preciso buscar esse espaço.
Houve um trabalho em conjunto para construir e fortalecer a comunidade nordestina dentro da associação. Os resultados foram concretos: gestores que antes se sentiam distantes do mercado passaram a ter acesso a conteúdo de qualidade, a networking qualificado e a ferramentas que elevaram o nível das práticas nas suas empresas. O Nordeste entrou na conversa e ficou.
“O Nordeste não estava ausente do grande mercado de viagens corporativas. Estava esperando ser convidado para a conversa. E quando esse convite chegou, mostramos do que somos capazes.”
Conectar o GVNE à ALAGEV foi e continua sendo essencial para nossos benchmarks, reuniões e atualizações de mercado. Mas também foi fundamental para comprovarmos algo que já sabíamos: nunca existiu régua baixa no Norte e Nordeste. Nossa atuação está na mesma altura.
Por que a gestão de viagens é mais do que parece?
As viagens corporativas movimentam bilhões de reais todos os anos no Brasil e no mundo. Conectam equipes, viabilizam negociações, fortalecem relações comerciais e impulsionam projetos em diferentes regiões. Ainda assim, o papel do profissional responsável por essa área segue sendo, muitas vezes, banalizado como algo puramente operacional.
No artigo “A carreira e o desenvolvimento do gestor de viagens e eventos corporativos”, publicado pela ALAGEV, Thais Meirelles defende um ponto que se conecta diretamente com essa trajetória: não se trata de gerir uma política de viagens, mas um programa de viagens corporativas, uma diferença que eleva significativamente o nível de responsabilidade.
A gestão envolve negociação com fornecedores, construção de políticas, análise de dados, gestão de orçamento, experiência do viajante, mitigação de riscos e, acima de tudo, cuidado com as pessoas que viajam a trabalho. Isso está longe de ser apenas operacional, é gestão estratégica.
Hoje, a função exige formação contínua, visão de negócio e domínio de tecnologia. O ALAGEV Educa genialmente gerido pela Andrea Mattos, com quem aprendo muito desde antes da sua chegada à associação representa o maior portal de conhecimento do mercado de viagens corporativas. É imprescindível tanto para quem está começando quanto para quem já tem experiência, porque esse mercado não para.
E a Inteligência Artificial? Ela chegou, mudou tudo, e vou ficar sem emprego?
Se antes uma planilha de Excel organizada era suficiente, hoje o cenário é outro. A inteligência artificial passou a ser uma das forças mais transformadoras da área.
No artigo “O futuro da profissão do gestor de viagens: como a Inteligência Artificial está redefinindo a atuação dos Travel Managers”, Joyce Macieri traz uma perspectiva clara: a IA não substitui o gestor, ela amplia seu alcance. Reforça a importância do olhar crítico, da ética, da negociação e da interpretação humana.
Fonte: https://alagev.org/o-futuro-da-profissao-do-gestor-de-viagens-como-a-inteligencia-artificial-esta-redefinindo-a-atuacao-dos-travel-managers/
A conclusão é direta e alinhada com essa jornada: o gestor precisa migrar de um perfil operacional para um papel estratégico, analítico e consultivo. Menos execução manual, mais decisões baseadas em dados. Isso exige estudo contínuo e, novamente, comunidade.
Para quem está começando, isso é uma oportunidade. A área está em transformação, valorizando tecnologia, dados e aprendizado constante. O futuro não é uma ameaça, é um convite ao crescimento.
Por que a ALAGEV foi e é fundamental nessa jornada
Não chegaria onde cheguei sem estudar muito, sem buscar conhecimento, sem o apoio de pessoas incríveis que cruzaram o meu caminho e sem a ALAGEV. Não é retórica, é a mais pura realidade; a associação foi o lugar onde aprendi, onde me desafiei, onde encontrei pares que entendiam minhas perguntas e tinham respostas que eu ainda não tinha.
Para quem está começando, a ALAGEV oferece muito mais do que eventos e publicações. Ela oferece pertencimento. Um ecossistema onde você pode crescer sem precisar reinventar a roda, onde o conhecimento coletivo está disponível e onde a sua voz venha de onde vier tem espaço para ser ouvida.
Para quem está começando
Se você chegou até aqui, provavelmente está no início de uma jornada que vai te surpreender de formas que você ainda não consegue imaginar. Vai ter momentos de dúvida, de estranhamento, de sensação de que não pertence. Eu tive todos esses momentos.
Mas há também aprendizados claros: pertencimento se constrói, conhecimento se adquire e comunidade se encontra quando se decide buscar. A gestão de viagens corporativas recompensa quem aprende continuamente, questiona e entende que, mais do que processos, estamos lidando com pessoas.
Quando eu era estagiária, eu não sabia que um dia estaria escrevendo este texto. Não sabia que encontraria uma comunidade, que subiria em palcos, que ajudaria a colocar o Nordeste na conversa. Não imaginaria ser líder de uma comunidade, conselheira da ALAGEV e estar atuando na gestão de viagens de uma grande empresa nacional. Descobri isso fazendo, errando, perguntando e, sobretudo, confiando nas pessoas certas e você também vai descobrir.
Só não esqueça: cada reserva, cada política, cada negociação tem um rosto do outro lado.
Claudinha Cordeiro
Conselheira Alagev