Ao longo da minha trajetória atuando com gestão de viagens e eventos corporativos, participando de projetos, publicações, treinamentos e eventos do setor, percebi que uma das maiores evoluções da nossa área foi a mudança de percepção sobre o papel do gestor. Durante muitos anos, o profissional de viagens corporativas foi visto como alguém operacional, responsável apenas por reservas, cotações ou organização logística. Hoje, porém, sabemos que essa função é estratégica e exige formação contínua, visão de negócio, domínio de tecnologia e reconhecimento formal dentro das organizações e também pelos órgãos trabalhistas.
Tenho defendido constantemente que não fazemos a gestão de uma política de viagens, fazemos a gestão de um programa de viagens corporativas, e isso muda completamente o nível de responsabilidade do profissional. A política é apenas o documento que registra as diretrizes, enquanto o programa é a estrutura estratégica baseada em pilares, objetivos e indicadores que conectam a área de viagens aos resultados da empresa.
Quando entendemos isso, também entendemos que o gestor precisa estar preparado para atuar de forma muito mais ampla, conectando stakeholders, tecnologia, finanças, fornecedores, riscos, governança e experiência do viajante dentro de um único programa estruturado. Um programa eficiente é sustentado por pilares como viajantes & stakeholders, financeiro, processos & tecnologia, fornecedores preferenciais, agência de viagens, risco & segurança e política, todos alinhados ao objetivo estratégico da empresa.
Com o amadurecimento do mercado, ficou evidente que o gestor deixou de ser apenas executor para se tornar agente de transformação dentro das empresas. Hoje, esse profissional precisa estruturar programas, gerar economia, garantir segurança, melhorar a experiência do colaborador e demonstrar resultados com dados.
O gestor de viagens corporativas passou a ser peça-chave para o alcance dos objetivos organizacionais, atuando com visão holística, conectando todos os pilares do programa e identificando oportunidades de melhoria, inovação e eficiência.
O mesmo acontece com o gestor de eventos corporativos, que deixou de atuar apenas na execução e passou a ter responsabilidade estratégica, garantindo que eventos estejam alinhados à imagem da empresa, aos objetivos de negócio e ao retorno esperado.
Com essa mudança, surgiu uma necessidade muito clara:
não é possível exercer essa função com qualidade sem capacitação contínua.
A importância da educação contínua para o gestor
Em todos os eventos, cursos e discussões do setor dos quais participei, um ponto sempre aparece como consenso:
o mercado de viagens e eventos corporativos muda rápido demais para quem não estuda.
Novas tecnologias, NDC, inteligência artificial, automação, pagamentos virtuais, ESG, duty of care, análise de dados, integração de sistemas, governança… tudo isso passou a fazer parte do dia a dia do gestor. Discussões internacionais do setor mostram que a capacidade de trabalhar com dados, tecnologia e estratégia é essencial para o futuro da profissão.
Por isso, sempre defendo que o gestor precisa ter um plano de desenvolvimento profissional, assim como o programa de viagens precisa ter um plano estratégico.
Nesse contexto, a educação especializada faz toda a diferença.
Tenho acompanhado de perto o impacto da formação estruturada para gestores de viagens e eventos, e posso afirmar que iniciativas como o ALAGEV Educa representam um marco importante para a profissionalização da área.
Quando o gestor aprende a estruturar um programa baseado em pilares, a definir KPIs (Key Performance Indicators), a desenvolver um savings plan, a trabalhar com ADO (automação, digitalização e otimização), a aplicar OKRs (Objectives and Key Results) e a usar tecnologia de forma estratégica, ele deixa de atuar no improviso e passa a atuar com método.
A educação especializada permite que o profissional:
- Entenda o programa de viagens de forma 360°
- Tome decisões baseadas em dados
- Estruture processos sustentáveis
- Tenha argumentos para dialogar com diretoria e finanças
- Demonstre o valor da área para a empresa
A profissionalização da área passa, necessariamente, pela capacitação contínua.
E isso não é mais diferencial.
É requisito.
O reconhecimento do cargo e a importância do CBO (Classificação Brasileira de Ocupações)
Outro tema que sempre levanto em minhas falas e publicações é a necessidade de reconhecimento formal da função de gestor de viagens corporativas.
Durante muito tempo, esse profissional foi registrado em cargos genéricos como:
- Assistente administrativo
- Comprador
- Facilities
- Secretária
- Analista de viagens
- Analista de eventos
Isso dificulta o reconhecimento da função, limita o crescimento profissional e impede que as empresas enxerguem o real impacto da área.
Por isso, o reconhecimento no CBO — Classificação Brasileira de Ocupações é extremamente importante.
Quando uma função passa a existir formalmente:
- ela ganha identidade profissional
- facilita a criação de carreira
- permite definição clara de responsabilidades
- fortalece a área dentro das empresas
- ajuda na valorização salarial
- contribui para a formação de novos profissionais
O reconhecimento do gestor de viagens corporativas no CBO não é apenas burocrático.
É um passo fundamental para a maturidade do setor.
Estamos nessa luta. O processo exige uma série de protocolos e dados substanciais e que estamos coletando para pleitear junto ao ministério do trabalho nossa posição de destaque.
O futuro da carreira: estratégico, tecnológico e multidisciplinar
O gestor do futuro não será apenas um organizador de viagens ou eventos.
Será um profissional que precisa dominar:
- dados
- tecnologia
- negociação
- experiência do usuário
- sustentabilidade
- gestão de risco
- governança
- finanças
- comunicação com stakeholders
Programas de viagens modernos exigem automação, digitalização e otimização de processos, permitindo decisões mais rápidas, redução de custos e melhor experiência para o viajante.
Também exigem metodologias de gestão por objetivos, como OKRs, para garantir alinhamento com a estratégia da empresa.
Ou seja, não existe mais espaço para improviso.
Existe espaço para gestores preparados.
Um convite à reflexão e ação
A carreira do gestor de viagens e eventos corporativos está em plena transformação.
O que antes era visto como operacional, hoje é estratégico.
O que antes era improvisado, hoje precisa ser estruturado.
O que antes era informal, hoje precisa ser reconhecido.
A educação contínua, o fortalecimento institucional, o reconhecimento no CBO (Classificação Brasileira de Ocupações) e iniciativas como o ALAGEV Educa são fundamentais para consolidar essa profissão e garantir que os gestores tenham o preparo necessário para entregar resultados cada vez mais relevantes para as organizações.
Nós na ALAGEV, equipe, diretoria, conselheiros, mantenedores e associados acreditamos profundamente que o crescimento da nossa área passa pelo conhecimento, pela profissionalização e pelo reconhecimento formal da função.
E quanto mais preparados estivermos, mais forte será o nosso papel dentro das empresas e dentro do mercado.
Que tal se mobilizar com a gente?
Por Thaís Meirelles
Conselheira ALAGEV